Mostrando postagens com marcador Análise - Séries. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Análise - Séries. Mostrar todas as postagens

26 de maio de 2007

House - Procedural ou Estudo de Personagem?




Conseguirá House repetir a indicação surpresa do ano passado? Além da situação dos demais concorrentes, é preciso analisar a relação do Emmy com as séries de procedimento.

Observando pelo ângulo das séries adversárias, a coisa não está nada mal. Com exceção de The Sopranos, que será indicada de qualquer maneira (ver meu texto abaixo), o campo está bem aberto. Aquele que deveria ser o ponto alto da temporada de Grey's Anatomy (o arco do acidente naval) deixou muita gente trocando orelha. O sexto ano de 24 Horas não tem lá muitos fas (nem os produtores e roteiristas gostaram muito do resultado). Dado o histórico das séries, ambas devem conseguir uma indicação. Mas não é algo tão certo como era uns 3 meses atrás.

Nesse cenário temos House e sua regularidade nessa terceira temporada (apesar do arco Tritter e seus detratores). As altas audiências conquistadas graças ao empurrãozinho de American Idol, somada à campanha que a FOX estará fazendo (promover quem no lugar? Prison Break?) pode fazer com que os médicos do Princeton Hospital estejam novamente entre os indicados.

A questão importante é: as séries de procedimento tem lugar no Emmy? Pode-se argumentar que House, os personagens (e suas relações) são muito mais importantes que a investigação dos casos em si. Outro dado interessante: notem que CSI deixou de ser indicada ao prêmio de melhor série justamente quando suas fraquias começaram a se multiplicar, denotando que a CBS tem muito mais interesse na dimensão financeira do que na artística (o que fica mais claro, quando vemos que mais da metade da grade da emissora é composta por séries que lembram em maior ou menor escala CSI).

Não são poucos os que consideram House (o personagem) um filósofo moderno e House (a série) uma cartilha seguida a risca. Esse tipo de culto jamais existiu em CSI. E é por isso que acredito que o drama liderado por Hugh Laurie tem chances muito boas de ser indicada novamente.


PS: já passou da hora de Hugh Laurie levar seu Emmy.

PS2: gostaria de mandar um grande VAI TOMAR NO C*! pro diretor de programação da FOX que teve a brilhante idéia de adiar o final da temporada de House em uma semana. Idiotas...

13 de maio de 2007

Marcia Cross só não vai ser indicada porque mal apareceu

Passado o choque que foi o completo esquecimento das protagonistas de Desperate Housewives no Emmy de Atriz de Comédia do ano passado, o que restou foi uma lição: as quatro (Eva, Marcia, Felicity e Teri) têm que ter boas submissões de episódios. Não dá para contar apenas com os comentários, com a fama ou com a sorte. É na esperteza que se consegue as indicações.

E, a essa altura do campeonato (ou da disputa), já sabemos a escolha de Felicity Huffman e Marcia Cross. A primeira escolheu “Bang”, considerado quase unanimemente o melhor episódio desta terceira temporada. E a segunda, que é o tema do post, escolheu “Come play wiz me”, um bom episódio, em que ela... bem, em que ela pouco aparece.

A gente sabe que Marcia está em período de gestão, e que as gravações ficaram rarefeitas, por motivos óbvios. Bree, a personagem, sempre teve que dividir a cena com outras três protagonistas, sempre teve espaço limitado. E, agora, a limitação aumentou ainda mais. “Come play wiz me” tem uma cena lá pelo fim em que Marcia aparece, faz um escândalo hilário e cativa o público, mas essa cena é, junto com mais duas ou três curtas, uma das poucas aparições dela no episódio. Com tantas concorrentes, fico pensando se apenas uma cena de efeito seria suficiente. Não acredito, para ser sincero.

É preciso entender que, quando o votante pegar um episódio dela, quer sentir a) presença e destaque e b) talento. “Come play wiz me” não é o episódio certo porque não há como ter muita presença e destaque em cinco minutos num episódio de quarenta e cinco - embora o talento ela tenha e consiga demonstrar em cada mera cena. É simples, fácil de entender. Se ela permanecer com essa escolha de submissão, eu custo a acreditar que vai ser indicada.

Minha dica, para conseguir a indicação, é pegar um dos dois primeiros episódios da temporada. Talvez o primeiro seja a melhor opção, por ser onde ela mais aparece, e em cenas boas, proveitosas. Salvo uma surpresa, só Felicity Huffman talvez consiga a indicação para série. O que é uma pena, porque Marcia e Felicity são duas das melhores atrizes da tevê americana no momento. As duas tinham que ser indicadas.

Por Gustavo.

4 de maio de 2007

The Sopranos - o maior adversário do cultuado drama é o próprio canal


Nenhuma série sintetiza tanto a marca HBO quanto The Sopranos. Violenta, ousada e engraçada, a história da família de mafiosos de Nova Jersey se tornou um ícone para a emissora. E agora em 2007 ela se despede da televisão, não sem antes conseguir mais algumas indicações na próxima edição do Emmy.

Para a maioria dos fãs e da crítica, a primeira parte da sexta temporada (2006) foi, no mínimo, decepcionante. Os doze episódios, que vieram depois de uma espera de quase dois anos, não evoluíram muito com a história, dando a impressão de que eram apenas um set up (preparação) para os nove episódios finais, que já estão sendo exibidos. Mesmo com esse viés, a série conseguiu diversas indicações, incluindo uma na categoria principal, além de uma histórica quinta vitória (em seis possíveis) na categoria de roteiro.

Ou seja, agora em pleno último ano, The Sopranos será indicada de qualquer maneira, mesmo que os episódios consistissem em closes de Tony Soprano dormindo. Some-se a isso a aparente falta de adversários oriundos da própria HBO (ninguém se lembra de Deadwood, Big Love é inelegível, Roma e The Wire parecem que nem existem) e de outras emissoras de TV por assinatura (Dexter, do Showtime, parece a opção mais provável).

Ironicamente, o maior obstáculo para o sucesso da série na próxima temporada de premiações é a própria HBO. Os últimos dois episódios de Família Soprano serão exibidos nos dias 3 e 10 de junho, ficando de fora do período de elegibilidade (que vai até 31 de maio).

Esse “erro” de calendário prejudicará a série em pelo menos três maneiras:

- A FYC da série (composta de seis episódios) que serão mostradas aos jurados a fim de definir o vencedor não poderão contar com as duas horas finais do show, fazendo com que quase todos os episódios anteriores precisem ser utilizados, reduzindo assim as opções de escolha.

- Esses episódios não poderão ser indicados nas categorias de direção e – mais importante – roteiro. Eu já estava contando a series finale como lock pra vitória em roteiro, que seria a sexta do programa. Agora não parece tão fácil.

- Edie Falco e James Gandolfini também sairão perdendo. É de se esperar que os últimos episódios sejam centrados em Tony e Carmela, o que faria de Blue Comet e da series finale Made in America FYCs das mais confiáveis para o casal de protagonistas. But it’s not gonna happen.

Apesar desse infortúnio, o arco final do show vai muito bem, obrigado. David Chase e sua trupe estão com um cuidado redobrado em desenvolver e dar desfechos aos personagens. Cada um dos três episódios já exibidos foi centrado em uma dupla: Bobby e Janice (Soprano Home Movies), Christopher e Johnny Sack (Stage 4) e Paulie e Junior (Remember When). Não é exagero dizer que o nível está muito mais para o das cinco primeiras temporadas do que o dos episódios do ano passado. Será que Emmy reconhecerá isso?

Jamais duvide do poder da máfia.



Juliano Cavalca